Quer saber o que é ventilação cruzada natural? Ela acontece a partir do movimento do ar no interior dos imóveis. Só que a ideia é não usar sistemas mecânicos ou tecnológicos – apesar disso ser possível.
Assim, de forma natural, a ação do vento deve acontecer pela diferença de densidade do ar, que varia conforme a temperatura.
A arquitetura moderna e mais focada em produtos funcionais tornou possível aproveitar o máximo de um recurso natural, que é o vento, permitindo a entrada e saída constante do ar.
E por que isso seria bom?
Primeiro porque mantém um espaço sempre arejado. Depois porque tem tudo a ver com a construção sustentável, no qual se preza pelo uso consciente dos recursos naturais renováveis. Neste artigo, entenda como a ventilação cruzada funciona.
Neste conteúdo, você vai ler:
- Como acontece a ventilação cruzada
- Como aplicar a ventilação cruzada natural
- Os benefícios da ventilação cruzada natural
- Saiba mais: a ventilação natural induzida
Como acontece a ventilação cruzada
Para a ventilação cruzada funcionar em qualquer imóvel, a primeira regra é ter ao menos duas aberturas em paredes opostas ou adjacentes. E nesse caso, a gente está falando sobre portas e janelas, que podem estar na mesma altura ou não.
A curiosidade está no fato de que quando as aberturas estão em alturas diferentes, o vento fresco entra pelo lugar mais baixo e o ar quente vai sair pelo espaço acima. Afinal, o ar frio é mais denso que o ar quente.
O importante é entender que é nesse caminho que o ar vai fluir pelo ambiente. A mágica acontece quando o ar quente vai para fora do ambiente e o ar mais fresco entra nesse espaço. Ou seja, nada de mágica e sim ciência.
Como aplicar a ventilação cruzada natural
A ventilação cruzada na arquitetura pode ser planejada e aplicada de modo eficiente. Os profissionais por trás de um projeto podem usar o conceito para inovar nos empreendimentos e manter o clima interno deles sempre arejado.
O uso correto de janelas e portas
As portas e janelas estão desde a etapa inicial da construção. Assim, a ventilação cruzada deve aparecer desde o projeto, de forma a identificar de onde virão os ventos locais daquela região.
A instalação desses itens, quando planejada, permitirá o uso do recurso natural dos ventos. Com relação a isso, vale a atenção especial para o uso correto das portas e janelas, que são aquelas que vão beneficiar esse tipo de solução sustentável.
A janela de alumínio com ventilação permanente é uma boa ideia para ser estudada. Uma janela de vidro de correr com duas folhas pode permitir apenas 50% da entrada de vento. E uma janela de abrir permite a ventilação integral.
Outros pontos importantes nessa hora são: avaliar que os vãos devem estar em pontos opostos proporcionando o melhor fluxo de ar, os maiores vãos permitem melhores circulações de ar e as janelas superiores facilitam a saída do ar quente..
O uso de elementos vazados
Os elementos construtivos vazados, como cobogós, auxiliam muito nessa ideia da ventilação cruzada em construções. E sim, podem ser usados internamente entre cômodos. As estruturas podem ser feitas em vários materiais e tipos.
Geralmente, são usados para separar ambientes, como sala de estar e sala de jantar ou cozinha e área de serviço. A alternativa faz com que as janelas ou portas permitam a entrada e saída de ar, sem fazer o bloqueio que uma parede faria.
O uso externo de brise-soleil
Mais uma ideia inteligente é o uso de brise-soleil, que em francês significa “quebra-sol”. É um tipo de estrutura construtiva que é diferente do cobogós porque o foco maior está na proteção da incidência dos raios solares.
E isso também traz a vantagem de evitar o calor interno. Ao mesmo tempo, permite a entrada de ventos. Tem uma ideia muito parecida com a da janela com ventilação permanente. O brise-soleil é mais comum em casas de luxo.
Os benefícios da ventilação cruzada natural
Conforto térmico e economia de energia elétrica. Sem dúvidas, esses são os maiores benefícios da ventilação cruzada, inclusive, os mesmos que mencionamos na introdução do texto. Vamos explicar mais detalhes sobre isso.
O conforto térmico
A entrada de ar frio e a saída de ar quente faz com que o lugar se mantenha sempre arejado. E o mais legal de tudo é que esse tipo de técnica da construção civil pode ser usado em imóveis pequenos até grandes edifícios.
A economia de energia
Ao favorecer a entrada de luz natural no imóvel, os responsáveis pela engenharia e arquitetura podem eliminar ou reduzir a necessidade de se fazer o uso de aparelhos de ar-condicionado nas construções. Logo, se reduz o gasto de energia.
A higienização do ambiente
Esse benefício ainda não foi citado, mas merece atenção – e se tornou importante na pandemia. A troca de correntes de ar faz com que o lugar se mantenha mais higienizado, evitando a proliferação e o contágio de bactérias e vírus.
O baixo custo de manutenção
Dá para notar o baixo custo de manutenção como fator decisivo da ventilação cruzada. É uma ideia econômica para fins de energia elétrica e os sistemas não demandam manutenções periódicas, somente nas janelas e portas.
A sustentabilidade da técnica
Obviamente, você já havia notado isso, mas precisamos registrar: é uma técnica sustentável. Logo, ao se conseguir o máximo desempenho de um recurso natural renovável e o mínimo de recurso não-renovável.
Saiba mais: a ventilação natural induzida
Antes de terminar essa leitura vale muito a pena saber que a ventilação em imóveis também pode acontecer de modo induzido. Ou seja, é quando se induz os ventos a tomarem caminhos para beneficiar o interior dos empreendimentos.
Veja os exemplos.
O efeito chaminé
No caso de edifícios verticais, como um prédio de escritórios, é comum que se faça o uso do efeito chaminé. Ou seja, o ar frio exerce pressão sob o ar quente, o que o força a subir. Logo, para isso acontecer é possível usar lanternins, aberturas zenitais ou exaustores eólicos.
O efeito Venturi
Ele foi criado pelo italiano Giovanni Venturi. O que acontece é que quando o ar flui em maior velocidade em uma passagem estreita, ele cria uma pressão negativa. O efeito gera um tipo de vácuo parcial, que impulsiona o fluido. É o que acontece com o uso de lanternim.
O resfriamento evaporativo
Esse é um exemplo que pode ser visto em obras de Oscar Niemeyer. A ideia é fazer uso de extensos espelhos d’água ou lagos estrategicamente posicionados na direção das correntes de ar e frente aos edifícios. Assim, ao passar pela água, o vento leva umidade.

