A cotação de materiais nada mais é do que analisar os custos para a execução de um serviço. Esses custos se somam entre mão de obra e produtos. No conteúdo de hoje, você vai ver como fazer as compras na construção civil visando uma gestão completa.
Isso porque a cotação é uma das etapas mais importantes dessa gestão de compras. Se ela não for feita de maneira realista e analítica poderá trazer custos elevados e, consequentemente, prejuízos futuros para as construtoras e incorporadoras.
A leitura abaixo foi organizada de modo que você, leitor, entenda todo o setor de compras da construtora, o papel do comprador, a cotação de materiais e conheça algumas dicas para fazer uma gestão eficiente. Boa leitura!
Como funciona o setor de compras de uma construtora
O principal objetivo da gestão de compras em qualquer empresa é garantir o estoque de materiais sem que haja excesso ou faltas. Na construção civil, a ideia se mantém, com ênfase no fato de que os gastos desnecessários podem estourar o orçamento inicial.
Uma das etapas mais importantes dessa gestão é o processo de compras, que começa logo após a aprovação do orçamento. Esse documento traz custos, quantidades e uma lista completa dos materiais que devem ser adquiridos para a execução da obra.
Na prática, ele ajuda o profissional a entender o que é preciso ter para cada período. A partir disso, dá para saber a urgência em comprar determinados materiais, o que envolve o prazo da entrega, além da qualidade do produto e dos custos dele.
O que faz um comprador na construção civil
O comprador na construção civil ou o gestor de compras desse mercado é o responsável por todo o departamento, que é importantíssimo no canteiro de obras e em outras etapas da construção de um empreendimento.
De maneira geral, essa pessoa é quem vai fazer o acordo com os fornecedores ou os prestadores de serviços a partir dos orçamentos da obra. O comprador também se torna responsável pela avaliação total da compra.
Por exemplo, ele precisa garantir a entrega no prazo estipulado para não atrasar as obras. Também tem que conhecer os processos de armazenagem, onde ficarão os materiais, quando devem estar protegidos de chuvas e sol.
Outro papel importante do gestor ou comprador é verificar os melhores fornecedores para que não se compre produtos com qualidade abaixo do que é recomendado. Para se ter uma ideia, hoje o certificado PBQP-H + PSQ tem grande valor no mercado.
No tópico abaixo, tire dúvidas e aprenda os principais passos para fazer a cotação de materiais de construção, que é uma das etapas mais importantes na vida de um comprador da construção civil.
Como fazer cotação de materiais de construção
Sabendo o papel do comprador, uma das dúvidas mais comuns desse profissional tem relação com a cotação de materiais na construção civil. Temos abaixo os 5 principais passos para executar essa função tão importante dentro do contexto financeiro de uma construtora.
1 – A quantidade de materiais
A quantidade de materiais, assim como a descrição completa deles, deve vir no orçamento. Então, ainda que não seja uma função inicial do comprador, é importante que se tenha o levantamento de tudo o que será comprado.
Uma dica é saber que na construção civil existe aquela conta sobre o “fator de perda”. Assim, geralmente, calcula-se 10% acima da quantidade necessária para uma aquisição mais confortável, sem que falte ou sem que se desperdice demais os materiais.
Outra dica valiosa tem a ver com o vencimento de materiais. Por exemplo, o cimento não dura mais do que 90 dias, além do fato de que se expostos ao sol, calor ou chuva podem ser danificados. Então, é preciso saber onde serão armazenados.
2 – A seleção de fornecedores
Partindo dessa lista de materiais e suas respectivas quantidades, agora é hora de selecionar os fornecedores ideais para cada tipo de produto. Sem dúvidas, é aqui que começa esse trabalho de cotação de preços do comprador de materiais de construção.
A seleção tem que ser feita com base em indicativos e princípios. Assim, não dá apenas para comprar o mais barato ou o que fica mais próximo do local da obra ou o que tem parcela em mais vezes. Na verdade, a seleção de fornecedores tem que considerar isso tudo.
Nessa hora, é válido ter uma lista do que é prioridade para aquela compra. Se for uma compra urgente, com certeza, a entrega será um dos itens principais na avaliação. Em caso contrário, vale a pena estudar o custo-benefício de cada item. E assim por diante.
3 – A comparação de preços
O próximo passo é a comparação de preços, só que aqui é preciso tomar muito cuidado. A ideia não é simplesmente descobrir qual é o fabricante que vende a um preço menor. Existem outras métricas de análise de fornecedores que são úteis nessa hora.
Por exemplo, será que o preço é impactado pelo frete, entrega ou pagamento? A quantidade de produtos interfere em descontos? Será possível armazenar todos os produtos no estoque? O fornecedor é confiável? A comparação de preços exige todo esse conhecimento.
Um exemplo muito real tem a ver com a instalação. Alguns produtos podem ser vendidos a preços mais baixos, só que exigem equipes especializadas e exclusivas para fazer a instalação e o acabamento deles. Logo, há o custo adicional da mão de obra neste produto.
4 – O cronograma de entrega
O momento certo para comprar um material para construção é importante. Primeiro porque ele pode ter validade, depois porque pode exigir muito espaço de armazenamento e também pelo fato de que pode gerar desperdícios, que nada mais são do que gastos desnecessários.
Dessa forma, ainda que as compras de última hora possam acontecer, elas não devem ser comuns em uma construção porque permitem menor poder de negociação. Por outro lado, comprar de forma fragmentada indica maiores custos com frete.
O resultado é um só: o cronograma de entrega deve ser um ponto avaliado na sua cotação de materiais. Nessa hora, considerar fabricantes confiáveis e com grandes estoques disponíveis é uma excelente ideia.
5 – A forma de pagamento
Por fim, mas não menos importante, o passo sobre a condição e a forma de pagamento, que é muito relevante para as construtoras. Afinal, com mais flexibilidade é possível ter um fluxo de caixa mais otimizado, também.
Então, vale a pena analisar preços e verificar o modo de pagamento, os prazos, se há juros nos parcelamentos ou custos extras e assim por diante. Lembrando que o pagamento à vista pode baixar o custo unitário de cada produto, só que afeta o fluxo de caixa. Pense nisso.
Como gerenciar as compras de materiais na construção civil
Depois que recebe o orçamento em mãos e faz a sua cotação de compras da construção civil, o comprador ou gestor tem que continuar o processo. Afinal, a busca é por uma gestão completa, o que indica outros cuidados além da compra propriamente dita.
Neste tópico, teremos outras dicas, agora mais focadas na gestão de compras como um todo.
O planejamento das compras
Em qualquer lugar do mundo, uma compra emergencial vai acabar sendo mais cara do que a compra que permite mais tempo, justamente por conta do estudo prévio que é feito. Na construção civil, também.
Por isso, uma boa dica para compradores é se aproveitar da comunicação entre setores para conseguir chegar a uma compra mais assertiva, mais econômica e mais consciente. Quando o planejamento é eficiente, evita-se esse erro.
A entrada e saída de materiais
A boa gestão dessa área também inclui o controle do que entra e do que sai de materiais. Há estudos que indicam que 30% ou mais dos gastos nas construções estão associados ao desperdício desses produtos.
A solução, nesse caso, pode ser simples, partindo da fiscalização no canteiro de obras, cálculos automatizados do uso de materiais em cada etapa da construção, o rastreamento dos produtos, o uso de sistemas de projeções, entre outros.
O relacionamento com os fornecedores
Quanto melhor for a experiência entre as empresas, maiores as chances de novos negócios acontecerem. Desse modo, quem se pergunta como ser um bom comprador na construção civil pode avaliar essa relação entre construtora e fornecedores.
A estratégia também faz sentido para receber entregas no prazo ideal, sem o risco de atrasos. Ainda tem as possibilidades de ter pagamentos facilitados e descontos nas futuras compras. E vale dizer: sempre faça cotações, mesmo quando já se imagina quem será o fornecedor.

