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Gestão de resíduos na construção civil – Saiba tudo a respeito

O desperdício de materiais é um grave entrave que precisa ser resolvido em vários setores e no mundo todo. A boa notícia é que a partir de uma boa gestão de resíduos na construção civil dá para diminuir esse problema de forma drástica e positiva nesse mercado.

Há um dado que comprova a importância do tema. A Abrecon (Indústria Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil) diz que nas cidades brasileiras de médio e grande porte os resíduos de construções e demolições representam até 70% de todo sólido gerado.

Tem mais uma pesquisa: há uma estimativa de que o setor da construção civil é responsável por 1/3 do lixo global gerado no mundo e por 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

Com o destino incorreto, tais produtos geram prejuízos em todos os sentidos, especialmente no que tange às áreas econômicas, sociais e ambientais. Na prática, causam enchentes, danos em infraestrutura de drenagens, proliferação de vetores, poluição, aumento de gastos com as obras públicas e muito mais.

Quem atua de forma responsável em uma empresa desse setor, portanto, precisa considerar a gestão desses resíduos como ponto de partida para solucionar a questão; o que é muito bem visto pelos novos consumidores, que estão cada vez mais atentos aos conceitos sustentáveis.

Quais são os tipos de resíduos na construção civil?

Existe um documento que formaliza a categorização desses produtos, é a Resolução CONAMA 307/2002. O CONAMA é o Conselho Nacional do Meio Ambiente. A partir dela, é possível classificar os tipos de resíduos na construção civil.

CLASSE A – Resíduos recicláveis e passíveis de reutilização

Aqui temos exemplos como dos tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, argamassa e concreto; que são provenientes de edificações. Eles também podem vir da construção, demolição, reformas ou reparos de pavimentações, além de obras de infraestrutura e terraplanagem.

Há ainda aqueles materiais que vêm dos processos de fabricação ou demolição de peças pré-moldadas em concreto, que são usadas em canteiros de obras. Entre elas, temos os blocos, os tubos, o meio fio e assim por diante.

CLASSE B – Resíduos recicláveis

Entre eles, os formados por plásticos, papéis, metais, vidros, madeiras e gesso.

CLASSE C – Resíduos não passíveis de reciclagem e nem de recuperação

Ou seja, todos aqueles que não contam com tecnologia para serem reciclados, independentemente do motivo, pode ser a falta de investimento em soluções ou outros. Hoje, um bom exemplo é o isopor.

CLASSE D – Resíduos perigosos

Nessa lista, entram as tintas, os solventes, os óleos, o amianto e os produtos de demolições, reformas e reparos em clínicas de saúde (radiológicas, por exemplo) ou instalações industriais.

Como diminuir a geração de resíduos na construção civil

A partir da Resolução acima, várias metodologias e estratégias podem ser criadas para diminuir a geração dos resíduos recicláveis e não recicláveis nesse setor. E levando em conta todas as possíveis soluções, há três verbos que se tornaram fundamentais nessa hora:

  • Reduzir,
  • Reutilizar e
  • Reciclar.

Primeiro, pense na possibilidade de reduzir o uso dos materiais usados evitando o desperdício. Para isso, basta ter um bom planejamento para fazer o uso apenas do que é necessário. Depois, reutilize o que for possível, como as sobras que acontecem na própria obra.

Por fim, a ideia de reciclar os materiais, que é o assunto central deste conteúdo. Diferente do conceito de reutilizar, aqui a ideia está em transformar os resíduos da construção em novos materiais. E há cada vez mais espaço para as novas tecnologias e pesquisas que focam nisso.

Quais materiais podem ser reciclados na construção civil?

A maioria dos resíduos gerados na construção civil são da Classe A, o que significa que estão passíveis de reciclagem. Aí vem a dúvida: como reciclar resíduos de construção civil?

Essa resposta vai depender de fatores como o uso de tecnologias e os objetivos das empresas envolvidas. Para se ter um exemplo, saiba que concreto, pedra e argamassas podem gerar materiais granulares que se transformam em elementos agregados ao concreto, mas sem terem papel estrutural.

No caso dos produtos da Classe B, que também são recicláveis, o caminho mais direto é o de enviar tais materiais para as cooperativas de seleção. Elas podem fazer o trabalho de separação para as usinas de reciclagem ou para a logística reversa, que é outra solução sustentável e ecológica.

Como fazer a gestão de resíduos na construção civil

Até essa parte do material ficou claro a importância de se ter uma boa gestão de resíduos na construção civil. Agora, a ideia é trazer os principais pontos que respondem outra dúvida: como criar e colocar em prática um projeto sustentável, que leve em conta essa tendência?

Vale lembrar que além da Resolução do CONAMA, outro documento que dá amparo nesse assunto é a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, que se tornou lei, a Lei 12.305/2010.

Ela diz, por exemplo, que o correto descarte dos materiais deve ser feito a partir de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Construção Civil (PGRSCC). Então, vamos ver como esse Plano funciona e como pode ajudar na gestão de resíduos.

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Construção Civil

O PGRSCC ajuda a entender sobre a melhor destinação dos resíduos usando como base a classificação criada pelo CONAMA. Veja um exemplo de como é possível solucionar cada uma das classes.

Classe A

Os resíduos da Classe A devem ser reutilizados ou reciclados de forma agregada. Quando não for possível, o melhor caminho é o aterro de resíduos, que vai preservar o material para usos no futuro.

Classe B

Nesta classificação, os produtos podem ser reutilizados, reciclados ou encaminhados para áreas de armazenamento temporário. Há que cuidar, no entanto, do fato de que eles precisam estar dispostos de um modo que sejam reciclados ou reutilizados no futuro.

Classe C

Os materiais da Classe B devem ser destinados com base nas normas técnicas específicas para cada um deles.

Classe D

Por fim, os da Classe D, que tem a mesma orientação: seguir as normas técnicas específicas.

As etapas da boa gestão de resíduos na construção civil

Um próximo passo para se considerar tem a ver com considerar as etapas para essa boa gestão, o que é fundamental agora que sabemos como descartar cada um dos tipos de materiais que resultam das obras.

O planejamento da obra

A primeira etapa acontece com o chamado projeto de arquitetura e engenharia. Nele, já deve contar o PGRCC que será analisado pelos responsáveis. Para se ter uma ideia, desde essa parte já vem a importância do assunto, já que o Plano é exigido no licenciamento ambiental para garantir a conformidade do projeto.

A separação dos resíduos

A segunda etapa é a que mais vai usar a classificação dos resíduos. Ela acontece durante a fase de execução de uma obra, onde se recomenda um espaço específico para armazenar temporariamente o entulho e depois fazer a destinação definitiva. O processo leva em conta os riscos de cada material ao meio ambiente.

O descarte dos resíduos

A última etapa é a do descarte propriamente dita. Ela segue os princípios já anunciados, desde a coleta de lixo até as alternativas, seja pela reutilização ou reciclagem. As destinações em aterros devem ser feitas com base em lugares licenciados e autorizados pelos órgãos ambientais.

Vale a pena investir na gestão de resíduos na construção civil?

Com a criação de um documento que atenda às exigências ambientais, além de ter as licenças e os alvarás, às empresas (como construtoras e incorporadoras) se alinham às expectativas do mercado, de modo a fortalecer a própria imagem. Listamos alguns benefícios diretos disso.

Menor impacto ambiental

Ao fazer a correta destinação dos resíduos, há a contribuição para a diminuição do impacto ambiental das obras realizadas e em andamento. Isso evita problemas como a poluição do ar e a contaminação de corpos de água e de solo, entre tantos outros exemplos.

Maior organização

Outra vantagem é que se tem uma melhor organização dos entulhos, que são visualmente desagradáveis, passando uma ideia negativa para a construção. Ao armazenar os resíduos em locais corretos, com os descartes indicados, há ainda a liberação de espaço no canteiro de obras.

Mais credibilidade

Como já falamos, o posicionamento sustentável de qualquer empresa, mas especialmente na construção civil, gera um saldo muito positivo na relação marca-consumidor; o que chega até os investidores, que estão atentos às práticas ESG cada vez mais.

Mais parcerias

Outro benefício da boa gestão de resíduos na construção civil é a chance de obter mais parceiros. Primeiro porque o mercado tem aderido cada vez mais aos programas de certificação ambiental. Depois porque os financiamentos, como da Caixa Econômica Federal, usam essa boa gestão como fator obrigatório.

O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H), que foi criado pelo Governo Federal, tem esse viés. Afinal, ele conta com quesitos que indicam a geração de resíduos ao longo da obra até o fim dela.

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